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Beauveria bassiana: Como o Fungo Infecta Insetos pela Cutícula

Diferentemente dos inseticidas que o inseto precisa ingerir, a Beauveria bassiana age de fora para dentro: o fungo precisa encontrar o inseto, aderir à sua superfície e atravessar a cutícula. Entender essa sequência explica por que cobertura, umidade e paciência fazem tanta diferença no resultado.

Quando o produtor espera o efeito de um inseticida de choque, pode concluir que o biológico “não funcionou” antes de o processo de infecção se completar. Conhecer cada etapa ajuda a aplicar no momento certo e a avaliar no prazo certo.


Resposta rápida

A Beauveria bassiana infecta por contato: o conídio adere à cutícula do inseto, germina, penetra combinando pressão mecânica e enzimas, coloniza o interior do corpo e leva o inseto à morte, podendo depois esporular sobre o cadáver. Isso exige que a calda chegue ao alvo e que haja condições favoráveis de umidade e temperatura. O efeito não é imediato, e o desempenho depende do isolado e do produto registrado.


Como a Beauveria bassiana chega ao inseto?

O primeiro requisito é o contato. Os conídios precisam atingir o corpo do inseto pela pulverização direta ou quando o inseto caminha sobre superfícies onde os conídios foram depositados.

Sem contato, não há infecção, por mais viável que seja o produto.

Fungo Beauveria bassiana emergindo do corpo de uma larva
Imagem: Lautaro Preisegger, Daysi Espín Sánchez e Carla Huarte-Bonnet — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (Echoes of the Inevitable – The Story Behind the Insect-Fungus System (Dorsal view).jpg).

1. Adesão: o conídio se fixa na cutícula

A superfície do conídio tem propriedades que favorecem sua adesão à cutícula do inseto. Essa fixação inicial é o ponto de partida de todo o processo.


2. Germinação: o conídio precisa de umidade

Depois de aderido, o conídio germina e forma estruturas que vão iniciar a penetração. Essa etapa depende de umidade e temperatura favoráveis no microambiente da superfície do inseto.


3. Penetração: pressão e enzimas

O fungo atravessa a cutícula combinando pressão mecânica e enzimas que degradam componentes como proteínas, quitina e lipídios. É por isso que o produto não precisa ser ingerido para agir.

Pulgão infectado e morto por Beauveria bassiana
Imagem: Plant pests and diseases — CC0, via Wikimedia Commons (Banana aphid (Pentalonia nigronervosa) infected and killed by Beauveria bassiana, an entomopathogenic fungus.jpg).

4. Colonização: o fungo se multiplica no interior

Depois de atravessar a cutícula, o fungo se multiplica no interior do inseto, consome seus recursos e pode produzir metabólitos que contribuem para o processo. O inseto perde atividade e acaba morrendo.


5. Esporulação: o ciclo pode recomeçar

Em condições de umidade adequada, o fungo pode emergir do cadáver e produzir novos conídios. Isso não deve ser tratado como garantia de controle prolongado, porque depende do ambiente e da presença de novos insetos.


6. Entenda que contato não significa efeito imediato

Todo esse processo leva dias. Avaliar o resultado poucas horas depois da aplicação, como se faz com inseticidas de choque, leva a conclusões erradas. A avaliação deve seguir o prazo indicado para o produto e a praga.

Ácaro com conídios de Beauveria bassiana aderidos ao corpo
Imagem: Lin, G., Guertin, C., Di Paolo, S. A. et al. — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (Neoseiulus cucumeris bearing Beauveria bassiana conidia.jpg).

7. Saiba por que o isolado importa

Isolados diferentes da mesma espécie variam em virulência, faixa de hospedeiros e tolerância ambiental. Por isso, resultados de um isolado não devem ser transferidos para outro, e a recomendação comercial deve vir do produto registrado.


8. Use o produto exato e os alvos registrados

Na linha da Nutrifértil Agrícola, o BOVEON® contém Beauveria bassiana IBCB 66, com mínimo de 8 × 10⁹ UFC/g (180 g/kg, 18% m/m), formulação WP, registro MAPA nº 16323. Os alvos registrados são mosca-branca (Bemisia tabaci raça B), moleque-da-bananeira (Cosmopolites sordidus), ácaro-rajado (Tetranychus urticae), cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), bicudo-da-cana (Sphenophorus levis) e broca-do-café (Hypothenemus hampei). Doses e condições de uso estão na bula e na página do produto.


O que costuma atrapalhar a infecção por Beauveria bassiana?

Erro Consequência possível
Calda que não chega ao inseto Sem contato, sem infecção
Aplicar em ar muito seco e quente Germinação prejudicada
Aplicar sob sol forte Conídios inativados pela radiação
Avaliar poucas horas depois Conclusão errada sobre o produto
Transferir resultado de outro isolado Expectativa sem base
Usar em praga fora do registro Recomendação sem respaldo

Como favorecer a infecção na prática?

Em termos gerais, o raciocínio deve seguir uma sequência:

1. Confirmar o alvo: praga registrada no produto.

↓

2. Escolher o horário: menor radiação e maior umidade.

↓

3. Garantir cobertura: calda onde o inseto está.

↓

4. Preservar os conídios: calda bem preparada e compatível.

↓

5. Avaliar no prazo certo: dias depois, e não horas.

O ponto central é simples: a Beauveria age por contato e precisa de tempo e ambiente para completar a infecção.


Conclusão

A Beauveria bassiana infecta o inseto por contato, em uma sequência de adesão, germinação, penetração e colonização que leva dias e depende de umidade, temperatura e cobertura.

Aplicar no alvo registrado, no horário adequado e avaliar no prazo certo são as condições para o biológico mostrar seu resultado.


Precisa de orientação para usar Beauveria bassiana?

Cada propriedade apresenta condições diferentes de cultura, praga, clima, equipamento e histórico de manejo.

A Nutrifértil Agrícola pode auxiliar na análise técnica das alternativas disponíveis no portfólio e na identificação de soluções compatíveis com a situação apresentada pelo produtor, sempre respeitando os usos e recomendações aplicáveis a cada produto.

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Perguntas frequentes sobre como a Beauveria bassiana infecta insetos

O inseto precisa comer o produto?

Não. O mecanismo principal começa pelo contato dos conídios com o corpo do inseto.

Quanto tempo leva para o inseto morrer?

Alguns dias, dependendo da praga, da dose, do ambiente e do estágio do inseto.

Por que a umidade é importante?

Porque a germinação do conídio na superfície do inseto depende de umidade adequada.

Resultado de outro isolado vale para o BOVEON®?

Não. Isolados diferentes variam em virulência e faixa de hospedeiros.

Para quais pragas o BOVEON® é registrado?

Mosca-branca, moleque-da-bananeira, ácaro-rajado, cigarrinha-do-milho, bicudo-da-cana e broca-do-café.


Referências técnicas

  • Revisões científicas sobre o mecanismo de infecção de fungos entomopatogênicos.
  • Nutrifértil Agrícola — Ficha técnica do BOVEON®.

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Imagem de capa: acervo Nutrifértil Agrícola.

Autoria: Nutrifértil Agrícola
Data de publicação: 19/09/2026
Última atualização: 05/11/2026