Blog

NUTRI FH + ALGAS: Como Interpretar a Fórmula 17% Substâncias Húmicas + 12% Aminoácidos + 6% Algas + 4% K₂O + 0,5% B

Quem olha o rótulo de um fertilizante organomineral encontra uma lista de percentuais e, muitas vezes, fica sem saber o que cada número quer dizer na prática. No NUTRI FH + ALGAS, a fórmula traz cinco componentes: 17% de substâncias húmicas, 12% de aminoácidos livres, 6% de algas marinhas, 4% de K₂O e 0,5% de boro.

Entender esses números evita erros comuns, como confundir substâncias húmicas com ácido húmico, esquecer o potássio e o boro no balanço da adubação ou comparar produtos só pelo percentual. Neste guia você vai aprender a ler a fórmula do NUTRI FH + ALGAS passo a passo e a usar essa informação na hora de montar o programa.


Resposta rápida

A fórmula do NUTRI FH + ALGAS informa quanto de cada componente existe no produto, e não quanto de resultado ele vai dar no campo. Os 17% se referem a substâncias húmicas como grupo, e não apenas a ácidos húmicos. Os aminoácidos são livres, a espécie da alga não é declarada, o potássio está expresso como K₂O e o boro precisa entrar na conta junto com as outras fontes. Para saber quanto de cada componente chega à lavoura, é preciso multiplicar o percentual pela dose, que deve ser confirmada para a cultura e a forma de aplicação.


O que é uma formulação organomineral

Pela legislação brasileira de fertilizantes, organomineral é o produto que resulta da mistura ou combinação de componentes orgânicos e minerais. No NUTRI FH + ALGAS, a parte orgânica é formada pelas substâncias húmicas, pelos aminoácidos livres e pelas algas marinhas. A parte mineral é formada pelo potássio e pelo boro.

Essa combinação explica o posicionamento do produto: ele é indicado para solo, fertirrigação, gotejamento e região radicular, onde a parte orgânica atua no ambiente em volta das raízes e a parte mineral entra como nutrição complementar. Ele não é um adubo completo e não substitui calagem, adubação de base ou cobertura.


1. Leia corretamente os 17% de substâncias húmicas

Substâncias húmicas são um grupo de compostos orgânicos que, nos métodos clássicos de laboratório, é separado em ácidos húmicos, ácidos fúlvicos e humina. Por isso, 17% de substâncias húmicas não é o mesmo que 17% de ácido húmico: o número se refere ao grupo como um todo, conforme a garantia do produto.

Revisões científicas descrevem que substâncias húmicas podem interagir com nutrientes no solo e estimular a emissão de raízes laterais e pelos radiculares. A resposta, porém, varia com a origem do material, a dose aplicada, o tipo de solo e a cultura.


Raiz branca de abóbora coberta de pelos radiculares finos sobre solo escuro
Imagem: Schlaghecken Josef — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (Kürbis (Cucurbita maxima) Haarwurzeln–Josef Schlaghecken.jpg).

2. Entenda o que são os 12% de aminoácidos livres

Aminoácidos livres são aminoácidos soltos, que não estão presos em cadeias de proteína. Eles participam de várias rotas do metabolismo da planta e aparecem em programas de estabelecimento, crescimento e recuperação após estresse.

A literatura sobre bioestimulantes à base de aminoácidos relata respostas variáveis conforme a fonte, a dose e a cultura. Não existe relação direta entre o percentual no rótulo e o tamanho da resposta, e os aminoácidos do produto não substituem a adubação nitrogenada da lavoura.


3. Saiba o que os 6% de algas marinhas informam

A garantia de 6% indica a presença de algas marinhas na formulação. A espécie da alga não está definida na composição do NUTRI FH + ALGAS, então não se deve atribuir ao produto hormônios, compostos ou efeitos específicos de uma espécie em particular.

Extratos de algas marinhas são estudados como bioestimulantes, com respostas que dependem da espécie, do processo de extração e da dose. No produto, esse componente deve ser lido como parte do conjunto, e não como um ingrediente que age sozinho.


Massa de alga marinha parda e amarelada sobre rochas e pedras na beira do mar
Imagem: Cephas — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (Ascophyllum nodosum Bic 01.jpg).

Foto ilustrativa de alga marinha parda na costa. Não representa a alga usada no produto, cuja espécie não é declarada.


4. Coloque o potássio e o boro na conta da adubação

O potássio do NUTRI FH + ALGAS está expresso como K₂O, que é a forma usada em rótulos e recomendações de adubação no Brasil. Para converter K₂O em potássio elementar, multiplica-se por 0,83. Na planta, o potássio participa da regulação da água, do funcionamento dos estômatos e do transporte de açúcares.

O boro, com 0,5%, participa da formação de tecidos novos. Como a faixa entre falta e excesso de boro é estreita em muitas culturas, a quantidade aplicada pelo produto precisa ser somada às demais fontes de boro do programa, seja via solo, seja via foliar.


5. Transforme percentual em quantidade entregue

Percentual sozinho não diz quanto chega à lavoura. Para isso, é preciso saber a dose e a base da garantia. Se a garantia for em massa por massa, cada 1 kg de produto com 4% de K₂O contém 40 g de K₂O. Se for em massa por volume, cada 1 L contém 40 g. A página do produto não declara essa base, então confirme no rótulo antes de fazer contas e não converta litros em quilos sem a densidade informada pelo fabricante.

Esse cuidado também vale para comparar produtos. Um produto com percentual menor e dose maior pode entregar mais de um componente por hectare do que outro com percentual maior e dose menor. Compare sempre a quantidade entregue na dose recomendada, e não só o número do rótulo.


6. Posicione o produto na zona radicular

Com a fórmula entendida, o próximo passo é levar o produto até onde as raízes estão. O NUTRI FH + ALGAS é posicionado para solo, fertirrigação, gotejamento e região radicular, e a aplicação localizada concentra os componentes na faixa de solo explorada pelas raízes.

Dose: DOSE DO PRODUTO EXATO NÃO LOCALIZADA/CONFIRMADA. Defina a recomendação para a sua cultura, fase e forma de aplicação com a equipe técnica, sem transferir dose de outro produto.


Fita de irrigação por gotejamento parcialmente enterrada em um sulco de solo
Imagem: David Trainer — CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (Drip Irrigation T-tape.jpg).

Erros comuns na leitura da fórmula

Erro Consequência possível
Ler 17% de substâncias húmicas como 17% de ácido húmico Comparação errada com produtos que garantem só ácidos húmicos
Converter percentual em g/L sem saber a base da garantia Conta errada da quantidade aplicada por hectare
Esquecer o K₂O e o boro no balanço Excesso ou desequilíbrio, principalmente de boro
Atribuir ao produto efeitos de uma espécie de alga Promessa sem base, já que a espécie não é declarada
Comparar produtos só pelo percentual do rótulo Escolha baseada em número que não reflete a quantidade entregue
Copiar a dose de outro produto Aplicação sem base técnica para a formulação

Programa prático para usar a fórmula no planejamento

1. Leia a garantia de cada componente no rótulo e confirme a base (massa ou volume).

↓

2. Separe a parte orgânica (húmicas, aminoácidos, algas) da parte mineral (K₂O e boro).

↓

3. Confirme a dose para a sua cultura, fase e forma de aplicação.

↓

4. Calcule a quantidade de K₂O e de boro entregue e some ao restante do programa.

↓

5. Aplique na zona radicular e compare com uma faixa sem aplicação.

O ponto central é simples: o rótulo diz o que tem no produto; a dose e o manejo dizem o que chega à planta.


Conclusão

A fórmula do NUTRI FH + ALGAS reúne uma parte orgânica, com substâncias húmicas, aminoácidos livres e algas marinhas, e uma parte mineral, com potássio e boro. Cada número informa a presença e a proporção de um componente, e não uma promessa de resultado.

Ler a fórmula do jeito certo ajuda a comparar produtos com justiça, a fechar o balanço de potássio e boro e a posicionar o produto na zona radicular com dose confirmada. É esse uso consciente que faz a formulação trabalhar a favor do programa nutricional.


Precisa de ajuda para encaixar a fórmula no seu programa?

Ler o rótulo é o primeiro passo. O segundo é saber quanto de cada componente vai chegar à sua lavoura e como isso conversa com o restante da adubação.

A equipe técnica da Nutrifértil Agrícola pode ajudar a interpretar a fórmula, posicionar o NUTRI FH + ALGAS e ajustar o programa para a sua cultura e forma de aplicação.

FALAR COM AGRÔNOMO PELO WHATSAPP


Perguntas frequentes sobre a fórmula do NUTRI FH + ALGAS

17% de substâncias húmicas é o mesmo que 17% de ácido húmico?

Não. Substâncias húmicas são um grupo que inclui ácidos húmicos, ácidos fúlvicos e humina. A garantia se refere ao grupo como um todo.

Os aminoácidos do produto substituem a adubação nitrogenada?

Não. Os aminoácidos livres fazem parte da parte orgânica da formulação e não substituem as fontes de nitrogênio dimensionadas para a cultura.

Qual é a espécie de alga do NUTRI FH + ALGAS?

A espécie não está declarada na composição do produto. Por isso, não se deve atribuir a ele efeitos específicos de uma espécie de alga.

Preciso contar o potássio e o boro do produto na adubação?

Sim. O K₂O e o boro aplicados pelo produto devem ser somados às demais fontes do programa, principalmente o boro, que tem faixa estreita entre falta e excesso.

Qual é a dose do NUTRI FH + ALGAS?

DOSE DO PRODUTO EXATO NÃO LOCALIZADA/CONFIRMADA. Confirme a recomendação para a sua cultura e forma de aplicação com a equipe técnica.


Referências técnicas

  • Presidência da República — Decreto nº 4.954/2004, que regulamenta a Lei nº 6.894/1980 sobre inspeção e fiscalização de fertilizantes.
  • Scientia Horticulturae — Plant biostimulants: definition, concept, main categories and regulation (du Jardin, 2015).
  • Scientia Horticulturae — Humic and fulvic acids as biostimulants in horticulture (Canellas et al., 2015).
  • Scientia Horticulturae — Protein hydrolysates as biostimulants in horticulture (Colla et al., 2015).
  • Nutrifértil Agrícola — Página técnica do NUTRI FH + ALGAS.

Leia também


Imagem de capa: Lynn Betts — domínio público, via Wikimedia Commons (Fertilizer applied to corn field.jpg).

Autoria: Nutrifértil Agrícola
Data de publicação: 21/09/2026
Última atualização: 07/11/2026