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Adubação Foliar: o que é, vantagens e uso dos fertilizantes foliares

🌱 Adubação Foliar: o que é, vantagens e uso dos fertilizantes foliares

A adubação foliar permite que as plantas absorvam nutrientes diretamente através das folhas, sendo uma técnica amplamente utilizada na agricultura moderna devido às suas inúmeras vantagens agronômicas.
Assim como humanos ajustam suas dietas para atingir objetivos específicos, também é possível realizar suplementações nutricionais nas plantas, garantindo uma nutrição eficiente, equilibrada e direcionada, tanto por via foliar quanto via solo.

As raízes das plantas continuam sendo fundamentais para a absorção de água e nutrientes, mas as folhas também possuem alta capacidade de assimilação, o que justifica o uso crescente de fertilizantes foliares.
Neste artigo técnico, abordaremos em profundidade a importância, benefícios e aplicações da adubação foliar, apresentando fundamentos científicos e práticas de campo que otimizam o desempenho das culturas.


🌾 O que é Adubação Foliar

A adubação foliar consiste na aplicação de uma solução nutritiva composta por macro e micronutrientes, desenvolvida para corrigir deficiências nutricionais de forma rápida e eficiente.
Essa solução é pulverizada sobre as folhas, que absorvem os nutrientes por meio dos estômatos e da cutícula foliar, permitindo uma resposta fisiológica imediata da planta.

Os adubos foliares atuam como complemento à adubação de base e são indicados para estágios específicos do desenvolvimento vegetal, especialmente quando há limitações de absorção radicular por fatores climáticos, compactação do solo ou desequilíbrio de pH.
A calda é aplicada de forma homogênea sobre a parte aérea das plantas, penetrando na superfície foliar e sendo assimilada rapidamente pelos tecidos.

Durante o processo, os nutrientes ultrapassam a cutícula — uma camada cerosa que protege as folhas — e são absorvidos pelos estômatos, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, transpiração e entrada de micronutrientes essenciais ao metabolismo vegetal.
Essa absorção promove o equilíbrio metabólico e o fortalecimento fisiológico das plantas, otimizando processos de fotossíntese, síntese proteica e produção de enzimas.


🌿 Para que serve o adubo foliar

A adubação foliar tem como objetivo fornecer nutrientes de maneira rápida, eficiente e direcionada às folhas, promovendo um impacto imediato sobre o metabolismo da planta.
Além de corrigir deficiências nutricionais, essa prática estimula o crescimento vegetativo, floração, frutificação e resistência a estresses bióticos e abióticos.

Os fertilizantes foliares são formulados para equilibrar as necessidades nutricionais em momentos estratégicos do ciclo produtivo, proporcionando resultados visíveis como:

  • Melhoria da floração e do pegamento dos frutos;

  • Frutos mais robustos, uniformes e saborosos;

  • Aumento da resistência natural contra pragas e doenças;

  • Incremento de produtividade e qualidade final da colheita.

📌 Exemplo prático:
A adubação foliar em milho, segundo a Revista Campo & Negócios, é recomendada entre o estágio de 4 a 8 folhas completamente desenvolvidas. Nessa fase, os micronutrientes são essenciais para o bom desenvolvimento fisiológico, impactando diretamente na produtividade final da lavoura.

Os micronutrientes, apesar de necessários em pequenas quantidades, exercem funções vitais nas etapas de crescimento, floração e enchimento de grãos. Com o uso de adubos foliares balanceados, é possível suprir rapidamente essas carências, evitando prejuízos fisiológicos e garantindo o máximo potencial produtivo.


💧 Como aplicar adubos foliares corretamente

A aplicação de adubação foliar deve ser feita nas horas mais frescas do dia — ao amanhecer ou ao entardecer —, quando a umidade relativa do ar é mais alta e a evaporação da calda é mínima.
Evite períodos de calor intenso e radiação solar direta, que podem causar fitotoxidade e perda de eficiência.

A pulverização pode ser realizada em diferentes escalas:

  • Pequenas áreas (com borrifadores manuais);

  • Grandes operações (com pulverizadores tratorizados de barras superiores a 50 metros).

A formulação ideal da calda deve considerar:

  • Tipo de cultura;

  • Estágio de desenvolvimento;

  • Necessidade nutricional específica;

  • Clima e umidade local;

  • Compatibilidade química entre produtos utilizados.

👨‍🌾 O acompanhamento técnico de um engenheiro agrônomo é essencial para determinar a concentração correta, frequência de aplicação e ajustes de pH da calda, garantindo máxima absorção e segurança.


💡 Dica na hora de comprar adubos foliares

Ao comparar preços de fertilizantes foliares, observe sempre:

  • Concentração dos nutrientes (produtos mais concentrados exigem menor dose por hectare);

  • Pureza das matérias-primas;

  • Registro no MAPA;

  • Compatibilidade com defensivos agrícolas e adjuvantes.

Essa análise é fundamental para calcular o custo real por hectare, evitando desperdícios e assegurando melhor custo-benefício na adubação.


⚠️ 7 erros mais comuns na adubação foliar

  1. Ignorar as doses recomendadas pelo fabricante;

  2. Não contar com o acompanhamento de um engenheiro agrônomo;

  3. Pulverizar sem verificar previsão do tempo (chuvas reduzem a eficácia);

  4. Desconsiderar as necessidades nutricionais específicas de cada cultura;

  5. Usar fertilizantes não registrados ou de baixa qualidade;

  6. Não realizar testes de compatibilidade de calda antes da aplicação;

  7. Deixar de utilizar adjuvantes e surfactantes que aumentam a absorção foliar.

Evitar esses erros é essencial para garantir a máxima eficiência da adubação foliar e a integridade das folhas.


🧪 Categorias de adubos foliares

Os fertilizantes foliares podem ser classificados de acordo com sua origem e tipo de formulação:

🔹 Fontes solúveis

Incluem sais minerais como sulfatos, cloretos e nitratos, além de complexos e quelatos (EDTA, aminoácidos, fosfitos).

🔹 Fertilizantes foliares orgânicos

São obtidos a partir da compostagem de resíduos vegetais e animais, como o húmus de minhoca. A liberação de nutrientes é mais gradual e contribui para o equilíbrio biológico da planta.

🔹 Fertilizantes foliares minerais

Extraídos de rochas naturais ricas em nutrientes, possuem alta estabilidade química e rápida solubilidade.

🔹 Fertilizantes foliares organominerais

Combinam as vantagens dos fertilizantes orgânicos e minerais, equilibrando nutrição imediata e estímulo fisiológico prolongado.

📘 Dica técnica:
Para aprofundar-se sobre esses tipos, consulte o artigo relacionado:
➡️ [Fertilizantes Agrícolas: tipos, composição e aplicações práticas].


🌟 Vantagens da Adubação Foliar

A adubação foliar oferece múltiplos benefícios agronômicos e econômicos.
Por ser aplicada diretamente sobre as folhas, promove absorção rápida, correção imediata de deficiências nutricionais e resposta fisiológica acelerada.

🔸 Principais vantagens:

  • Correção imediata de deficiências de micronutrientes durante o ciclo da cultura;

  • Baixo custo operacional, comparado a outros métodos de adubação;

  • Compatibilidade com pulverizações de defensivos agrícolas;

  • Redução de desperdício e maior controle sobre a dosagem;

  • Resposta rápida e visível nas plantas;

  • Maior eficiência em condições adversas de solo ou clima;

  • Menor impacto ambiental, por reduzir lixiviação e contaminação do solo.

Além disso, a facilidade de aplicação e a velocidade de resposta tornam a adubação foliar uma das técnicas mais eficazes para otimizar o rendimento agrícola com sustentabilidade.

⚠️ Desvantagens da Adubação Foliar

Embora a adubação foliar apresente diversas vantagens, seu uso inadequado pode gerar efeitos negativos.
O excesso de concentração ou a escolha incorreta do produto podem causar fitotoxidade, queimaduras foliares e ineficiência nutricional.

🔸 Principais desvantagens:

  • Uso excessivo de fertilizantes mal formulados pode queimar folhas e brotações novas;

  • Folhas muito jovens têm baixa capacidade de absorção e maior sensibilidade;

  • Baixo poder residual dos nutrientes, exigindo reaplicações periódicas;

  • Possíveis incompatibilidades químicas com defensivos e outros produtos;

  • Ineficiência em períodos chuvosos ou sob alta umidade, quando ocorre escorrimento da calda;

  • Não recomendada em florescimento intenso de culturas sensíveis, devido à possível fitotoxidade.

🚫 Quando evitar a adubação foliar:

  • Quando a planta necessita de grandes quantidades de nutrientes (melhor via solo);

  • Durante períodos de chuva intensa ou irrigação prolongada;

  • Quando as folhas apresentam deficiência hídrica ou sinais de doença;

  • Em horários de alta radiação solar, que reduzem a absorção e aumentam perdas.


🔬 Como ocorre a adubação foliar

A adubação foliar ocorre pela dissolução dos fertilizantes em água, formando uma calda homogênea que é pulverizada diretamente nas folhas.
Os nutrientes penetram na superfície foliar e são transportados até os tecidos onde serão metabolizados.
Comparada à adubação via solo, a absorção foliar é significativamente mais rápida, apresentando resposta fisiológica em poucas horas.

Essa técnica é amplamente utilizada para prevenir deficiências nutricionais e corrigir desequilíbrios fisiológicos causados por estresses ambientais, como seca, salinidade e frio.
Assim, as plantas permanecem vigorosas, resistentes e produtivas.

🧫 Estruturas envolvidas na absorção:

Cutícula

A cutícula foliar é uma camada cerosa que reveste externamente as folhas, protegendo-as de agentes externos.
Por ser parcialmente impermeável, dificulta a penetração de soluções aquosas, tornando fundamental o uso de adjuvantes e espalhantes adesivos, que melhoram o contato e a penetração dos nutrientes.

Estômatos

Os estômatos são poros microscópicos que controlam as trocas gasosas e a transpiração das plantas.
Durante a evapotranspiração, a pressão negativa favorece a entrada das soluções nutritivas para o interior dos tecidos foliares, acelerando a absorção e a translocação.

Rachaduras e imperfeições

Pequenas fissuras naturais ou danos mecânicos na superfície foliar também podem facilitar a entrada dos nutrientes, atuando como pontos secundários de absorção.


⚗️ Quelatização de nutrientes na adubação foliar

A quelatização (ou complexação) é um processo essencial na formulação de fertilizantes foliares de alta eficiência.
Consiste na união entre um íon positivo (cátion) — como ferro, zinco, manganês, cobre, cálcio ou magnésio — e uma molécula orgânica de carga negativa, denominada agente quelatizador.

Esse processo impede que os nutrientes sofram reações químicas indesejadas, tornando-os mais disponíveis e estáveis para absorção pelas folhas.
Além disso, evita a formação de compostos insolúveis que seriam inutilizados pela planta.

Por exemplo, fósforo e zinco, quando aplicados sem quelação, podem reagir e formar fosfato de zinco, um composto insolúvel.
Ao utilizar fertilizantes quelatizados com EDTA, DTPA ou aminoácidos, mantém-se a integridade química dos nutrientes, garantindo total aproveitamento e segurança na mistura com defensivos.


🌤️ Fatores que influenciam a absorção foliar

A eficiência da adubação foliar depende de fatores externos (ambientais) e internos (fisiológicos da planta).
Compreender essas variáveis é essencial para ajustar o manejo e garantir o máximo aproveitamento dos nutrientes aplicados.

🔹 Fatores externos:

  • Temperatura e radiação solar: temperaturas acima de 25 °C aceleram a evaporação e reduzem a absorção;

  • Umidade relativa do ar: níveis altos favorecem a permanência da calda nas folhas;

  • pH da solução nutritiva: deve ser mantido levemente ácido (entre 5,5 e 6,5);

  • Ângulo e pressão de aplicação: gotas finas e uniformes garantem cobertura eficiente.

🔹 Fatores internos:

  • Idade da folha: folhas jovens apresentam maior permeabilidade;

  • Hidratação foliar: folhas ressecadas absorvem menos;

  • Estado nutricional da planta: quanto mais equilibrada, menor a absorção de nutrientes adicionais;

  • Espessura da cutícula: varia entre espécies e influencia diretamente a penetração.


🍇 Adubação foliar em diferentes culturas

Frutíferas (uva, banana e citros)

  • Uva: utilização de Micromix Uva (EDTA) fornece micronutrientes essenciais à videira, promovendo vigor e qualidade dos cachos.

  • Banana: Micromix HF (quelatizado com EDTA) melhora resistência a ventos e rachaduras dos frutos.

  • Citros: aplicação de GeoQuel Cobre 15 EDTA reforça defesas naturais e previne doenças fúngicas.

Grãos (milho, soja e trigo)

  • Milho: aplicação de ProSilicon (silício biodisponível) fortalece a parede celular, reduzindo estresse hídrico e aumentando captação de luz.

  • Soja: GeoQuel Manganês 13 fornece manganês de rápida assimilação, essencial para fotossíntese e metabolismo energético.

  • Trigo: micronutrientes balanceados promovem uniformidade e resistência à acamamento.

Hortaliças e folhosas

O uso de fertilizantes foliares ricos em aminoácidos acelera o crescimento e fortalece os tecidos vegetais.
Exemplo: BioGain Cálcio 30 — fertilizante com aminoácidos e cálcio altamente assimilável, que melhora firmeza e resistência das folhas.


🌄 Melhor horário para aplicar o adubo foliar

Segundo a Embrapa, as pulverizações foliares devem ser realizadas nas primeiras horas da manhã ou ao final da tarde, quando as temperaturas estão abaixo de 25 °C e a umidade relativa é elevada.
Essas condições reduzem a evaporação, aumentam o tempo de contato da calda e diminuem riscos de fitotoxidade.

Aplicações noturnas também são viáveis, pois a umidade é naturalmente maior e a absorção ocorre de forma contínua.
Já pulverizações sob sol intenso devem ser evitadas, pois os estômatos se fecham, reduzindo a absorção e aumentando perdas por evaporação.


⏱️ Tempo de absorção e efeito do adubo foliar

A absorção e o efeito dos nutrientes variam conforme o elemento aplicado e as condições ambientais.
Em média:

Nutriente Tempo médio de absorção
Fósforo / Enxofre 5 a 10 horas
Potássio / Magnésio 10 a 24 horas
Cálcio 10 a 94 horas
Cloro 1 a 4 horas
Ferro / Molibdênio 10 a 20 horas
Manganês 1 a 2 horas
Zinco 1 a 2 dias

 

Assim, a resposta fisiológica inicia-se poucas horas após a aplicação, dependendo da cultivar e do tipo de nutriente aplicado.


📆 Frequência e época ideal de aplicação

A adubação foliar deve ser adaptada ao ciclo fenológico da planta e às condições ambientais.
Culturas de ciclo longo exigem reaplicações periódicas, enquanto hortaliças e folhosas respondem melhor a intervalos mais curtos.

O planejamento nutricional deve ser definido por um engenheiro agrônomo, considerando o objetivo produtivo — seja para estimular floração, melhorar frutos ou corrigir deficiências.
Durante o inverno, culturas como trigo, aveia e feijão também podem ser adubadas via foliar, desde que a temperatura e umidade sejam adequadas.


🌙 Pode adubar à noite?

Sim. Aplicações noturnas são recomendadas em ambientes quentes e secos, pois reduzem perdas por evaporação e prolongam o tempo de contato da calda na folha.
Essas condições favorecem a absorção e maximizam a eficiência do fertilizante foliar.


☀️ Pode adubar sob sol forte?

Não é recomendado. A incidência direta do sol fecha os estômatos e pode causar queimaduras nas folhas.
O ideal é evitar horários de pico solar e temperaturas elevadas.


🌎 O impacto ambiental da adubação foliar

A adubação foliar é uma das técnicas mais sustentáveis de manejo nutricional.
Por reduzir perdas e lixiviação, minimiza a contaminação do solo e dos lençóis freáticos, além de otimizar o uso de insumos agrícolas.
É uma estratégia que alia eficiência agronômica com responsabilidade ambiental, alinhando-se às práticas de agricultura regenerativa e de precisão.


🌾 Conclusão: eficiência e sustentabilidade na nutrição foliar

A adubação foliar representa um dos avanços mais eficientes e sustentáveis da nutrição vegetal moderna.
Quando bem planejada e acompanhada por um profissional agrônomo, proporciona absorção imediata, melhor aproveitamento de nutrientes e aumento significativo de produtividade.

Com produtos de alta qualidade, como os fertilizantes foliares quelatizados e organominerais, o produtor rural alcança resultados superiores em vigor, resistência e rentabilidade, contribuindo para uma agricultura mais sustentável e competitiva.