O mecanismo clássico de Bacillus thuringiensis var. kurstaki contra lagartas começa pela ingestão. Isso diferencia Bt de agentes entomopatogênicos que podem iniciar infecção diretamente pela cutícula.
No BtOn, a cepa registrada é HD-1 (S1450). A literatura geral sobre proteínas Cry ajuda a explicar o mecanismo, mas não deve ser convertida em percentuais de eficácia específicos do produto sem ensaio correspondente.
1. A lagarta precisa ingerir material tratado
O processo começa quando o inseto consome tecido vegetal com componentes de Bt depositados sobre a superfície. Por isso, posicionar a pulverização na região de alimentação é essencial.
2. Solubilização no intestino médio
Em muitos lepidópteros suscetíveis, o intestino médio possui ambiente alcalino que favorece a solubilização das proteínas cristalinas. Esse passo transforma o material ingerido em formas capazes de seguir para ativação.
3. Proteases ativam as toxinas
Enzimas digestivas do hospedeiro processam protoxinas em formas ativas. Variações nessas proteases podem influenciar a suscetibilidade entre espécies, populações e estádios larvais.
4. Ligação a receptores específicos
As toxinas ativadas interagem com receptores presentes no epitélio intestinal. A presença, quantidade e configuração desses receptores ajudam a explicar por que o espectro de ação é seletivo e por que nem todo inseto responde da mesma maneira.
5. Perda de integridade do epitélio
A interação com a membrana compromete células intestinais, altera a barreira epitelial e interfere no funcionamento digestivo. A lagarta pode reduzir alimentação antes da morte, razão pela qual a avaliação de campo não deve observar apenas mortalidade imediata.
Por que o tamanho da lagarta importa?
Estádio larval altera consumo, massa corporal, fisiologia digestiva e dano acumulado. Lagartas maiores já podem ter causado perda relevante e podem exigir uma leitura de manejo diferente de uma infestação recém-iniciada.
Por que cobertura faz parte do mecanismo?
Se a lagarta não consome o tecido tratado, a sequência intestinal não começa. Isso conecta biologia e tecnologia de aplicação. Veja Como aplicar BtOn: cobertura, lagartas jovens e condições de pulverização.
Resistência pode alterar essa sequência?
Sim. Alterações em receptores, ativação proteolítica ou outras etapas podem participar de mecanismos de resistência. Por isso, repetir continuamente a mesma pressão de seleção sem estratégia de manejo é inadequado.
Em áreas com culturas Bt, a coordenação entre tecnologias é discutida em BtOn em áreas com milho e algodão Bt.
BtOn: dados específicos do produto
O BtOn possui registro MAPA nº 42224, formulação SC, com B. thuringiensis var. kurstaki HD-1 (S1450), mínimo de 2,5 × 10⁹ esporos viáveis/mL e 20 g/L do agente microbiológico. Os alvos registrados são A. argillacea, S. frugiperda, A. gemmatalis e C. includens.
Perguntas frequentes
BtOn precisa encostar externamente na lagarta?
O mecanismo principal depende de ingestão do material tratado.
A lagarta pode parar de comer antes de morrer?
Pode ocorrer redução de alimentação durante o processo de intoxicação intestinal.
Todo inseto possui os mesmos receptores?
Não.
O mecanismo geral de Cry prova a eficácia do BtOn contra qualquer lepidóptero?
Não. A indicação comercial permanece vinculada aos alvos registrados.
Conclusão
O mecanismo de Bt conecta ingestão, ativação enzimática, receptores intestinais e dano epitelial. Na prática, isso transforma cobertura do tecido de alimentação e intervenção precoce em partes inseparáveis do manejo.
Fontes técnicas consultadas
- ADAPAR. Bula oficial do BtOn — registro MAPA nº 42224.
- MAPA. Relação oficial de produtos microbiológicos registrados.
- Bravo, A.; Gill, S.; Soberón, M. Mode of action of Bacillus thuringiensis Cry and Cyt toxins.


