A cigarrinha-do-milho, Dalbulus maidis, está entre os alvos registrados do BOVEON. O inseto tem importância porque pode transmitir agentes associados ao complexo de enfezamentos, o que exige manejo baseado em prevenção, monitoramento e redução do vetor.
Um produto microbiológico de contato pode integrar essa estratégia, mas não deve ser interpretado como solução isolada para doenças sistêmicas já instaladas na planta.
O alvo do produto é o inseto
Beauveria bassiana infecta o hospedeiro por contato. O objetivo é atuar sobre a cigarrinha; o fungo não “cura” plantas que já estejam infectadas por molicutes ou vírus.
Por que o momento importa?
Populações podem colonizar lavouras desde estádios iniciais. Monitoramento precoce permite detectar entrada e pressão do vetor. Quanto mais tarde a decisão, maior pode ter sido a exposição das plantas aos agentes transmitidos.
Cobertura em plantas jovens
Em estádios iniciais, o dossel é menor e pode favorecer acesso ao alvo, mas deriva e velocidade operacional continuam exigindo calibração.
Ambiente para o fungo
Aplicações precisam considerar radiação e microclima. O melhor momento operacional busca conciliar presença do alvo, condições favoráveis ao agente biológico e segurança de aplicação.
MIP da cigarrinha é mais amplo
O programa envolve escolha de época e híbrido conforme recomendação regional, eliminação de milho voluntário quando pertinente, monitoramento e uso responsável de ferramentas registradas. A estratégia deve reduzir pressão do vetor e evitar dependência de um único método.
BOVEON: o que é específico do produto
O BOVEON é um inseticida e acaricida microbiológico de contato à base de Beauveria bassiana, isolado IBCB 66. O registro MAPA nº 16323 informa formulação WP, mínimo de 8 × 10⁹ UFC/g e 180 g/kg (18% m/m) do agente microbiológico.
Os alvos registrados são Bemisia tabaci raça B, Cosmopolites sordidus, Tetranychus urticae, Dalbulus maidis, Sphenophorus levis e Hypothenemus hampei. Doses e condições de uso devem ser consultadas na bula vigente.
Perguntas frequentes
BOVEON é registrado para cigarrinha-do-milho?
Sim, Dalbulus maidis é alvo do registro MAPA nº 16323.
Beauveria cura enfezamento?
Não. O alvo é o inseto vetor; doenças sistêmicas já instaladas não são revertidas por um inseticida microbiológico.
Aplicação precoce é sempre necessária?
A decisão deve ser baseada em monitoramento e recomendação técnica; o risco do vetor em plantas jovens torna a vigilância inicial especialmente importante.
Posso abandonar outras ferramentas?
Não. O manejo deve ser integrado e adaptado à pressão da praga e ao sistema regional.
Conclusão
No milho, o BOVEON pode compor o MIP da cigarrinha porque possui indicação registrada para Dalbulus maidis. A estratégia funciona melhor quando o vetor é monitorado cedo e o produto é aplicado buscando contato e condições ambientais adequadas.
Fontes técnicas consultadas
- ADAPAR. Bula oficial — BOVEON, registro MAPA nº 16323.
- Embrapa Ater+ Digital. Registro 16323 — Beauveria bassiana IBCB 66.


