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Óleo de Neem no Hortifrúti: Mosca-Branca, Pulgões e Limites do Registro

Mosca-branca e pulgões aparecem juntos nas mesmas conversas sobre hortifrúti e, muitas vezes, recebem a mesma recomendação: “aplica óleo de neem”. São dois problemas diferentes, com biologia, risco e ferramentas de controle distintas.

Ambos são insetos sugadores, mas o manejo correto começa pela identificação do organismo e pela confirmação de que o produto comercial escolhido é registrado para aquele alvo. A literatura registra atividade do neem sobre diferentes hemípteros, mas a amplitude científica da planta não é igual ao registro de cada formulação.


Resposta rápida

No hortifrúti, monitore adultos, ovos e ninfas de mosca-branca na face inferior das folhas e colônias de pulgões em brotações, decidindo pelo risco e pela tendência da população. O AGRONEEM tem a mosca-branca entre os alvos registrados, mas não os pulgões; para pulgões, use produtos registrados para esse alvo. A cobertura da face inferior das folhas é decisiva, e o manejo deve começar cedo, sem calendário fixo.


Mosca-branca e pulgões são o mesmo problema?

Não. Moscas-brancas pertencem à família Aleyrodidae; pulgões, à Aphididae. Ambos retiram seiva e podem produzir honeydew, favorecendo a fumagina, mas diferem em ciclo, comportamento, mobilidade e relação com viroses.

Em hortaliças e frutíferas, a identificação correta muda o nível de risco e o conjunto de ferramentas disponíveis.

Adulto de mosca-branca Bemisia tabaci
Imagem: CSIRO — CC BY 3.0, via Wikimedia Commons (CSIRO ScienceImage 1359 Silverleaf whitefly Bemisia tabaci biotype B.jpg).

1. Identificação: reconheça cada praga

Adultos de mosca-branca ficam normalmente na face inferior das folhas e levantam voo quando o dossel é movimentado; ovos e ninfas ficam aderidos ao tecido foliar. Em altas populações, podem surgir amarelecimento, redução do vigor, honeydew e fumagina, e algumas espécies transmitem vírus importantes.

Pulgões formam colônias em brotações, folhas novas, caules ou estruturas reprodutivas, com formas ápteras e aladas e multiplicação rápida em condições favoráveis. Diferentes espécies também transmitem vírus.


2. Monitoramento: registre o que a lavoura mostra

Aplicações por calendário podem ocorrer cedo demais, tarde demais ou contra o alvo errado. No campo, registre a presença de adultos, ovos e ninfas, o percentual de plantas ou folhas infestadas, a distribuição por talhão ou ambiente protegido, a presença de honeydew e fumagina, os inimigos naturais e a evolução da população entre avaliações.

Esse diagnóstico também evita confundir sintomas de sucção com deficiência nutricional, virose ou fitotoxicidade.

Colônia de pulgões em brotação
Imagem: Brandon Antonio Segura Torres — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (Pulgones del rosal de varios colores.jpg).

3. Risco: considere as viroses na decisão

Em culturas sensíveis a viroses, o risco não depende apenas de grandes colônias. A espécie do vetor e a epidemiologia do vírus precisam fazer parte da decisão, e pequenas populações podem justificar atenção maior.

A presença de pulgões alados indica capacidade de dispersão e de colonização de novas plantas.


4. Momento: entre cedo, conforme a bula

O momento deve seguir o monitoramento e a bula. Para tecnologias de contato ou com efeitos progressivos sobre a alimentação e o desenvolvimento, esperar a infestação atingir níveis muito altos reduz a margem de manejo.

Para o AGRONEEM, a documentação orienta a aplicação contra mosca-branca no início da infestação, o que reforça a importância de detectar a população cedo.


5. Cobertura: atinja a face inferior das folhas

Boa parte da população de mosca-branca permanece na face inferior das folhas. Volume de calda, penetração no dossel, ponta, pressão, tamanho de gota e velocidade de deslocamento são fatores fundamentais.

Uma pulverização visualmente “bonita” na parte superior do dossel pode deixar grande parte do alvo sem contato suficiente.


6. Ciência: entenda o que o neem faz nos sugadores

A azadiractina é estudada por efeitos antialimentares e por interferência no desenvolvimento e na reprodução de diferentes insetos. Extratos e óleos de neem também podem ter efeitos de contato, dependendo da formulação.

“Atividade biológica”, porém, não deve ser traduzida automaticamente como “alvo registrado”. Um estudo com um pulgão, uma concentração ou uma formulação não cria autorização de uso para outro produto.

Folha de berinjela com pulgões e fumagina causada pelo honeydew
Imagem: Jochen Kreiselmaier, DLR-NW — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (Auberginen Blattläuse-Rußtau-1-DLR-NW-Jochen Kreiselmaier.jpg).

7. Registro: use cada produto no alvo que consta na bula

O AGRONEEM (registro MAPA nº 32522, formulação EC com 500 g/L de óleo de neem, 2,67 g/L de azadiractina A e 0,77 g/L de azadiractina B) tem como alvos registrados a mosca-branca (Bemisia tabaci e Bemisia argentifolii) e o oídio (Erysiphe polygoni). Para mosca-branca, a dose registrada é de 1,40 a 2,80 L/ha, com 200 a 400 L/ha de calda.

Pulgões não estão entre os alvos do AGRONEEM, e ele não deve ser recomendado para esse alvo. Para a mosca-branca, o BOVEON®, à base de Beauveria bassiana IBCB 66 (registro MAPA nº 16323), também tem esse alvo registrado e pode compor a diversificação do programa, conforme a bula.


8. Manejo integrado: combine as ferramentas

O manejo integrado no hortifrúti inclui remoção de plantas hospedeiras quando indicada, manejo de plantas daninhas, higiene de estufas, preservação de inimigos naturais, rotação de mecanismos de ação e produtos registrados para cada alvo.

Reavalie a população depois de cada intervenção, com o mesmo critério de amostragem, antes de decidir a próxima.


O que costuma levar a erros no manejo de mosca-branca e pulgões?

ErroConsequência possível
Tratar mosca-branca e pulgões como a mesma pragaProduto ou momento errados para um dos alvos
Usar o AGRONEEM contra pulgõesAlvo sem registro e sem controle comprovado
Aplicar por calendário, sem monitorarIntervenções cedo, tarde ou no alvo errado
Esperar a infestação ficar altaPouca margem de manejo para qualquer ferramenta
Cobrir só a parte superior das folhasMosca-branca sem contato com a calda
Ignorar o risco de virosesDano maior mesmo com populações pequenas
Confundir sintoma de sucção com deficiênciaCorreção nutricional que não resolve a praga
Não reavaliar depois da aplicaçãoReaplicações sem necessidade ou fora de hora

Como manejar mosca-branca e pulgões na prática?

Em termos gerais, o raciocínio deve seguir uma sequência:

1. Identificar: separar mosca-branca de pulgões e reconhecer a espécie.

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2. Monitorar: adultos, ovos, ninfas e colônias, com registro da evolução.

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3. Avaliar o risco: considerar viroses e inimigos naturais.

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4. Escolher o produto registrado: conferir o alvo na bula.

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5. Aplicar com cobertura: face inferior das folhas e dossel inteiro.

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6. Reavaliar: amostrar de novo antes de qualquer reaplicação.

O ponto central é simples: a praga identificada e a bula decidem o produto; a cobertura decide o resultado.


Conclusão

Mosca-branca e pulgões exigem monitoramento detalhado, porque espécie, estágio e posição no dossel determinam o risco e a qualidade de aplicação necessária. O neem pode integrar o programa no alvo registrado, mas a ciência sobre a planta não amplia o registro de um produto.

Para cada praga, o produto deve ser escolhido pela bula, aplicado cedo e com cobertura adequada, e avaliado pelo monitoramento seguinte.


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Cada propriedade apresenta condições diferentes de cultura, ambiente de cultivo, pragas, clima e histórico de manejo.

A Nutrifértil Agrícola pode auxiliar na análise técnica das alternativas disponíveis no portfólio e na identificação de soluções compatíveis com a situação apresentada pelo produtor, sempre respeitando os usos e recomendações aplicáveis a cada produto.

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Perguntas frequentes sobre mosca-branca e pulgões no hortifrúti

O AGRONEEM é registrado para pulgões?

Não. Os alvos registrados são as moscas-brancas Bemisia tabaci e Bemisia argentifolii e o oídio Erysiphe polygoni.

Mosca-branca e pulgão têm o mesmo manejo?

Não. Diferem em ciclo, comportamento, local no dossel e relação com viroses, e as ferramentas registradas também são diferentes.

Por que olhar a face inferior das folhas?

Porque é onde se concentram adultos, ovos e ninfas de mosca-branca. Sem cobertura nessa região, grande parte do alvo não recebe a calda.

Preciso aplicar no primeiro inseto que aparecer?

A decisão deve seguir o monitoramento, o risco e a bula. Detectar cedo é importante para não perder a margem de manejo.

Existe biológico registrado para mosca-branca?

Sim. O BOVEON®, à base de Beauveria bassiana IBCB 66, tem a mosca-branca entre os alvos registrados.


Referências técnicas

  • Mordue, A. J.; Blackwell, A. — Azadirachtin: an update.
  • IRAC — Mode of Action Classification.
  • Nutrifértil Agrícola — Fichas técnicas do AGRONEEM e do BOVEON®.

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Imagem de capa: acervo Nutrifértil Agrícola.

Autoria: Nutrifértil Agrícola
Data de publicação: 05/10/2025
Última atualização: 04/11/2026