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BtOn contra Spodoptera, Anticarsia, Chrysodeixis e Alabama: Quatro Alvos, Quatro Hábitos

O registro do BtOn reúne quatro lagartas agrícolas: Spodoptera frugiperda, Anticarsia gemmatalis, Chrysodeixis includens e Alabama argillacea. Todas são lepidópteros, mas não ocupam a planta do mesmo modo nem causam o mesmo padrão de desfolha.

Como BtOn depende de ingestão, o ponto central é identificar onde cada espécie está se alimentando e fazer a calda chegar a essa região.

Spodoptera frugiperda

No milho, a lagarta-do-cartucho pode se concentrar no cartucho, região protegida pela arquitetura das folhas. Em outras culturas, o comportamento muda. Por isso, “cobrir a planta” de modo genérico não é suficiente; a regulagem precisa buscar o sítio de alimentação predominante.

Anticarsia gemmatalis

A lagarta-da-soja é desfolhadora. Em infestações crescentes, tamanho das lagartas e porcentagem de desfolha ajudam a definir a urgência do manejo. A intervenção precoce reduz o dano acumulado e aumenta a chance de a lagarta ingerir tecido tratado antes de atingir estádios mais avançados.

Chrysodeixis includens

A falsa-medideira pode ocupar estratos internos do dossel. Em lavouras fechadas, atingir folhas do baixeiro e interior da copa pode ser mais difícil, tornando penetração da pulverização um componente crítico.

Alabama argillacea

O curuquerê-do-algodoeiro é desfolhador e consta entre os alvos oficiais do registro. O manejo deve considerar distribuição das lagartas, área foliar atacada e estágio predominante.

Mesmo produto, estratégias de cobertura diferentes

O BtOn não muda de formulação entre as quatro pragas, mas cultura, dossel e hábito do inseto mudam a tecnologia de aplicação. Ponta, volume, pressão e velocidade precisam ser ajustados ao alvo e ao equipamento.

Por que “lagarta jovem” aparece tanto em programas com Bt?

Lagartas menores tendem a ter menor dano acumulado e podem ingerir dose proporcionalmente relevante em relação ao próprio tamanho. Isso não é licença para ignorar a bula; é um princípio de posicionamento dentro do monitoramento.

O registro inclui qualquer Spodoptera?

Não. O alvo registrado citado é S. frugiperda. A presença de outra espécie do mesmo gênero não autoriza substituir o nome do alvo no uso comercial.

E Tuta absoluta?

Não aparece entre os quatro alvos citados para o registro nº 42224. Evidência biológica de Bt contra outros lepidópteros não deve ser transformada em indicação oficial do produto.

Como conectar alvo e mecanismo?

O artigo Como Bt HD-1 age no intestino das lagartas explica por que ingestão é necessária. O artigo Como aplicar BtOn mostra como transformar essa exigência em cobertura operacional.

BtOn: dados específicos do produto

O BtOn é registrado no MAPA sob nº 42224, formulação SC, com B. thuringiensis var. kurstaki HD-1 (S1450), mínimo de 2,5 × 10⁹ esporos viáveis/mL e 20 g/L do agente microbiológico.

Perguntas frequentes

As quatro espécies do título são alvos registrados?

Sim.

Posso usar a mesma regulagem em milho e soja?

Não necessariamente; dossel e posição do alvo mudam.

O registro inclui Tuta absoluta?

Não entre os alvos citados para o registro nº 42224.

Conclusão

O BtOn possui quatro alvos registrados, mas o manejo não pode ser padronizado apenas pela dose do produto. Hábito da lagarta, arquitetura da cultura e local de alimentação definem onde a pulverização precisa chegar.

Fontes técnicas consultadas